O médico oftalmologista Evaristo Nardelli é um especialista da tradição ocidental. Não pratica fitoterapia nem outras modalidades alternativas de medicina. Mas jamais ignorou o poder da medicina popular. Ele conta que a demonstração mais concreta de que é preciso estudar as plantas pode ser retirado de experiência pessoal que teve com o maxixe. “Ele diminui a pressão intraocular. É verdade: testei e funcionou.”
Em casos extremos, o descontrole da pressão intraocular leva à cegueira. “A paciente demonstrou uma pressão controlada após histórico de crescente elevação. Achei estranho. Ela disse que tinha colocado maxixe no olho”. E como funciona o medicamento? Evaristo não sabe responder. Divulgou a prática para amigos e muitos comprovaram o efeito. Mas não pôde tocar a pesquisa. Investigar a capacidade terapêutica de uma planta não sai por menos de R$ 2 milhões, avisa Nestor Carvalho Furtado, do Hospital de Medicina Alternativa.
No caso do uso de maxixe, Evaristo explica que outros medicamentos da indústria farmacêutica funcionam também de forma eficaz: “A diferença é o preço. O remédio convencional sai mais caro”.
No caso acompanhado por Evaristo Nardelli, a paciente se recuperou de forma imediata. Ao longo do tempo, a manutenção deste quadro leva ao glaucoma e à cegueira irreversível, explica o médico. O maxixe agia para diminuir a pressão — que estava em 40 mmHg (milímetros de mercúrio).
O caso do maxixe é um modelo de como a falta de estudos e pesquisa prejudica o país, encarece o tratamento e diminui a estima pelos valores naturais do Brasil. Se o leitor procurar na internet ou literatura médica não encontrará nenhuma referência da ação desta planta no glaucoma. Ninguém está pesquisando esse tema no momento. Nenhum laboratório procura entender seu princípio ativo. Enquanto isso, as indústrias farmacêuticas ganham milhares em royalties pela venda de similares.
No caso da pressão intraocular, o maxixe demonstra que a planta é mais do que um mero chá para acalmar ânimos ou diminuir o estresse. Ela pode interferir na pressão ocular, um problema que dificulta a oxigenação do olho e leva à cegueira.
Evaristo Nardelli lamenta a ausência de estudos. “Acredito que na roça devem usar muito o maxixe, mas ninguém saberá explicar seu uso sem um estudo sério e aprofundado”.
Para quem pede a fórmula, ele não nega: o paciente deve colocar maxixe no liquidificador, depois filtrar a substância. Por fim, ferver, colocar gotas de antibiótico e pingar no olho. Na dúvida, é melhor procurar um oftalmologista e discutir a potencialidade e risco do uso.
www.boticadabeleza.com

Comentários